Womens Soccer United

Entrevista com a Jogadora Carol Carioca

 Read this interview in English

WSU: Com quantos anos você começou a jogar futebol e quem ou o que inspirou ou influenciou você a jogar?

CC: Com 14 anos, sempre assistia futebol na televisão com meu pai e fugia para jogar na rua com os meninos. Minha mãe não deixava e sempre meu pai me levava para ver os jogos perto da minha casa, isso me influenciou, pois ele sempre me apoiou.

WSU. Qual foi o melhor e o pior momento na sua carreia até hoje, e por quê?

CC: O melhor foi ano passado na África do Sul quando classificamos para Copa do Mundo pela primeira vez, fato inédito para Guiné Equatorial, o pior foi em 2009 quando operei o tornozelo na Alemanha e tive que ficar parada por sete meses, todos dizia que eu não voltaria a jogar...Foi muito triste e também em 2008 na Guiné quando peguei malária, mas tudo deu certo e hoje estou bem e feliz.

WSU: Você tem alguma superstição ou ritual antes do jogo?

CC: Usar o mesmo top e fazer o sinal d cruz.

WSU. Como está a recepção do povo á seleção feminina, já que é a primeira vez que a Guiné Equatorial participa de uma Copa de futebol feminino?

CC: Está sendo uma grande festa, viramos ídolas no país, que está orgulhoso e todos esperam um bom resultado no mundial mesmo sendo a primeira vez, temos todo apoio que até algumas seleções não têm . Para mim é uma grande responsabilidade, sendo uma das mais experientes.

WSU: Como surgiu o convite para jogar pela seleção da Guiné Equatorial?

CC: Em 2007 surgiu o convite para fazer uns jogos na Guiné e assim fui ficando por lá, então fui convidada para fazer parte da seleção e fiquei muito feliz com o convite, que aceitei, meses depois, e estou até agora jogando pela Guiné Equatorial.

WSU: Qual a diferença entre o futebol feminino do Brasil, da Alemanha e da Guiné Equatorial?

CC: No Brasil é mais habilidade, inteligência, na Alemanha, o futebol é mais técnico, tem uma disciplina tática, força e velocidade, já na Guiné é mais força e velocidade.

WSU: Como estão indo os preparativos, pessoais e com a seleção da Guiné Equatorial, para a Copa do Mundo de futebol feminino?

CC: Estamos bem. Já estamos a quatro meses concentradas trabalhando forte entre jogos da eliminatória para as Olimpíadas e amistosos, para que tudo dê certo no mundial e quem sabe não podemos ser a surpresa do mundial. Nós sabemos que é difícil, mas nada é impossível, pois eliminamos as seleções de Gana e Camarões, que sempre estiveram em mundiais, então a Guiné não está por acaso neste mundial.

WSU:. A seleção já se encontra na Alemanha treinando, como está a receptividade do povo alemão e os preparativos na véspera da Copa?

CC: Sim, já estamos a um mês na Alemanha, onde fomos muito bem recebidas, pois são todos simpáticos. Na véspera é só controlar a ansiedade e se concentrar para os jogos.

WSU. Como fica o coração ao ter que jogar contra o Brasil na primeira fase da competição?

CC: Não sei explicar, a ficha só vai cair quando estiver entrando em campo e tocar o hino do Brasil (emoção única), já que será a primeira vez que uma jogadora de futebol feminino naturalizada em outro país vai jogar contra o seu próprio. Espero ajudar a Guiné e jogar contra o Brasil, já
classificados.

WSU: Sobre as companheiras do Botucatu e da seleção:

- Qual é a jogadora mais brincalhona?
CC: Botucatu Maria (paulista), Guiné Chinasa Okoro

- Quem é a mais habilidosa?
CC: capitã Genoveva Anonman

- Quem é a jogadora mais veloz?
CC: Guiné Chinasa Okoro

- Qual é a jogadora mais inteligente?
CC: Botucatu Dani, Guiné Salome Nke Noah

- Pior dançarina?
CC: Guiné Chinasa Okoro, e eu kkk...

- Quem tem o pior gosto para música?
CC: Guiné Jumaria,

WSU:. Se você não fosse uma jogadora de futebol profissional, qual outra profissão você teria?

CC: Fisioterapeuta esportiva

WSU: Qual conselho você daria para as meninas que querem ser jogadoras de futebol?

CC: Lutar sempre e desistir jamais. Se cair, levantar... E seguir em frente sempre lutando pelos seus objetivos.

WSU: Quais são seus interesses/hobbies quando você não está jogando?

CC: Ler livros, sempre estar me informando sobre o que acontece no mundo todo, estar junto com minha família e amigos, churrasco, pagode, viajar, piscina...

WSU: Na sua opinião, como tem o futebol feminino evoluído desde que você começou a jogar e o que você gostaria de ver para o futuro do futebol feminino?

CC: Evoluiu em partes, o preconceito melhorou muito...E o respeito. Eu gostaria de ver o futebol feminino ser valorizado, que o Brasil tivesse uma liga organizada como na Europa, além de patrocínios, mídia...Isso sim já era um bom começo

WSU. Conte-nos algo que não sabemos sobre você?

CC: Tive bastantes títulos. Faço bastantes gols de cabeça. Joguei quatro anos em Botucatu, estou a quatro anos na seleção da Guiné Equatorial, passei por grandes clubes. Comecei no Vasco da Gama, depois joguei no Santos, no São José do Rio Preto e no USV Jena (Alemanha), onde fui vice-campeã da DFB-Pokal (Copa da Alemanha). Torço para que olhem com carinho para o futebol feminino no Brasil, desde já obrigada pela oportunidade. Espero que esteja colaborando.Muito obrigada.

 

 Read this interview in English

Add a Comment

You need to be a member of Womens Soccer United to add comments!

Join Womens Soccer United

Comment by Maiara Dourado on June 16, 2011 at 1:12
Que bacana a entrevista!!! Bom ter conhecido mais sobre a Carol, mas nada de eliminar o Brasil, hein? :D Sucesso na copa e na profissão!

ADVERTISEMENTS

© 2012   Created by Women's Soccer United.

Badges  |  Report an Issue  |  Terms of Service